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HISTÓRICO APA DO DELTA PASSEIOS MANGUEZAL CARANGUEJO-UÇA

O Delta do Parnaíba

MORAIS BRITO - A MARCA REGISTRADA DO DELTA DO PARNAÍBA

DELTA - VISTA AÉREA

O Delta é um tipo de embocadura múltipla ramificada em várias dezenas de ilhas(cerca de 70), separadas por canais anastomóticos. Esta foi considerada Área de Proteção Ambiental(APA), criada pelo Decreto Federal de 28 de agosto de 1996, envolvendo áreas do Maranhão, Piauí e Ceará, num total de 313.809 m e perfazendo um perímetro de 460.812m de extensão, incluindo a área marítima. No Piauí a APA abrange os municípios de Parnaíba, Luiz Correia, Ilha Grande de Santa Isabel e Cajueiro da Praia (IBAMA, 1998).Apenas 35% dos 2700Km de área deltaica têm localização em território do Piauí, a maior parte está situado no Maranhão.

Os objetivos apontados para a criação da APA foram os seguintes:

1. Proteger os deltas dos rios Parnaíba, Timonha e Ubatuba, com sua fauna, flora e complexo dunar;

2. Proteger remanescentes de mata aluvial;

3. Proteger os recursos hídricos;

4. Melhorar a qualidade de vida das populações residentes, mediante orientação e disciplina das atividades econômicas locais;

5. Fomentar o turismo ecológico e a educação ambiental;

6. Preservar as culturas e as tradições locais.

A região deltaica do Parnaíba, abriga condições fisográficas e ecológicas bastantes complexas e dotadas de originalidade ímpar.

O Delta é integrado por um conjunto de ecossistemas embutidos em tabuleiros pré-litorâneos da Formação Barreiras. Trata-se de um conjunto de desembocadura múltipla, ramificada em um arquipélago com cerca de setenta ilhas de variadas dimensões. O Parnaíba chega ao Atlântico através de cinco barras, quatro das quais situadas no Maranhão e apenas a Igaraçu no Piauí. Trata-se da única feição deltaica das Américas, localizadas em mar aberto. (IBAMA,1998)

Para AB’SABER (1960) apud in IBAMA (1998), o Parnaíba forma a mais perfeita região deltaica do país.

As condições de temperatura se caracterizam pela pequena amplitude anual e valores médios que variam de 25ºC a 27ºC.

As precipitações médias anuais em todos os municípios da APA superam aos 1200mm.

A vegetação do Delta do Parnaíba, está sujeita a inundações que ocorrem com o fluxo da maré. A variação da lâmina d’água e o acúmulo de sedimentos têm caráter sazonal e assumem grande importância no equilíbrio ecológico da região.

As principais unidades vegetacionais da área envolvem-se nas praias, dunas, mangues e tabuleiros litorâneos, diferenciando-se devido às variações da composição edáfica e profundidade do lençol freático, e são elas: vegetação pioneira psamófila, vegetação subperenifólia, manguezais, mata ciliar de várzeas e vegetação de tabuleiros. (RADAMBRASIL, 1981 e CEPRO, 1996)

A vegetação pioneira psamófila se localiza nos setores de alta praia, sobre dunas semi-fixas e em depressões inter-dunares.

O manguezal é a cobertura vegetal típica dos ambientes flúvio-marinhos. A  vegetação local é muito densa e de porte exuberante, especialmente nas ilhas que compõem a região deltaica.

A mata ciliar de várzea ocupa áreas de planícies fluviais e de planícies lacustres além de áreas de acumulações inundáveis. Na faixa praial e campo de dunas da planície litorânea os principais componentes faunísticos são compostos por grupos de répteis, aves e mamíferos.

A vegetação tabuleiro, ocupa os setores pré-litorâneos da região APA. Trata-se de um complexo florístico que inclui espécies de matas, da caatinga, dos cerrados e cerradões.

As características atuais da vegetação são resultados de um longo processo de ocupação antrópica, que contribui para a redução das espécies naturais, bem como a introdução de cultivos agrícolas-rizicultura e forrageiras.

 

História do Delta
DELTA DO PARNAIBA

O Delta do Rio Parnaíba é o principal destaque do litoral nordestino. Mais do que um show de biodiversidade e de visuais exóticos, Delta do Parnaíba é um capricho da natureza, uma jóia localizada entre os estados do Piauí e do Maranhão. E Parnaíba é a principal porta de entrada do único delta em mar aberto das Américas. Espetáculos semelhantes no mundo só mesmo os deltas, do Rio Nilo, no Egito, e Mekong, Vietnã. Suas cinco bocas (desembocaduras) e noventa ilhas paradisíacas, entre cortadas por igarapés, se constituem num verdadeiro santuário ecológico.

O Delta do Parnaíba, inicialmente no contexto da Capitania do Maranhão, atraía aventureiros, contrabandistas e até navios negreiros, mas também recebeu homens honestos que comerciavam. A navegação pluvial e marítima contribuiu para os primeiros êxitos comerciais que formaram o patrimônio econômico da região, sendo Parnaíba o centro mais importante.

O Delta do Parnaíba, o único de mar aberto nas Américas, foi descoberto, há mais de 420 anos, pelo navegante Nicolau de Rezende, quando navegava pelo litoral do nordeste brasileiro, sofreu um acidente próximo ao extremo nordeste do maranhão na divisa com o Piauí, local onde o rio Parnaíba deságua no oceano Atlântico. Trazia ele grande carregamento de ouro e, aqui permaneceu por mais de dezesseis anos, sem sucesso para resgatar sua preciosa carga, mas em compensação descobriu o Delta do Parnaíba, nos oferecendo tão precioso legado.

Nicolau de Rezende ficou deslumbrado diante da paisagem bonita e exótica daquele recanto nordestino e exclamou: “Quantos no futuro colherão esse tesouro... Esse paraíso resistirá aos futuros desbravadores?”.

Os tremembés, do grupo dos tapuias, eram grandes nadadores, famosos e valentes, habitavam o Delta do Parnaíba e terra adjacentes, chamados peixes racionais, por serem hábeis nadadores, dominavam a região, aldeados pelo missionário padre João Tavares, da companhia de Jesus, que não media sacrifícios para defendê-los.

A presença de um delta em mar aberto como porta de entrada para um grande rio, talvez tenha sido o atrativo para que navegadores e aventureiros com Nicolau de Rezende, em 1571, Gabriel Soares de Souza em 1587, Pero Coelho de Souza em 1602, Martin Soares Moreno em 1613 e Vital Marciel Parente em 1614 fizessem incursões e explorassem essa região dando noticias da grandiosidade do Parnaíba e seu delta.

O próprio Conselho Ultramarino em ato de 12 de janeiro de 1699, determina a sondagem do rio e a viabilidade da construção de um porto e erguimento de uma vila na região deltaica.

Ao tempo em que se desenvolvia no interior do Piauí a criação de gado com o crescimento de fazendas e currais, grande parte dessa produção bovina era procurada por comerciantes e contrabandistas do Pará, Bahia e Pernambuco que renunciavam ao doloroso trajeto terrestre para o translado do gado e preferiam fazer o transporte por via fluvial e marítima.

Na existência de uma carta regia datada de 1701, permitindo que o gado só pudesse ser criado a distancia de dez léguas do litoral, o que forçava uma penetração no rio, criava a necessidade de erguimento de um entreporto para guarda de animais e de mercadorias que seriam usadas na troca. Esse ponto de apoio foi estrategicamente escolhido: ficaria a meio caminha entre o mar e o local onde ocorre a confluência dos braços de rios e igarapés do delta.

O DESBRAVADOR E PIONEIRO DOS PASSEIOS AO DELTA DO PARNAÍBA
DELTA DO PARNAIBA

Edilson Morais Brito é o responsável pelo desbravamento turístico em todo o Delta do Rio Parnaíba. É o que se poderia chamar de versão atual do primeiro desbravador, Nicolau de Rezende, navegante que descobriu o Delta do Rio Parnaíba por volta do século XV e que teria sido primeiro homem civilizado a percorrer os caminhos do delta. Mas com uma visão empreendedora e voltada para o turismo ecológico esta primazia coube a Edilson Morais Brito, no ano de 1991 apos a reforma do Porto das Barcas em Parnaíba Piauí fundar a agência Moraes Brito Viagens e Turismo. Sua ânsia por descobertas e aventuras o fez criar vários roteiros nas centenas de igarapés que recortam a paisagem selvagem e virgem. Por entre ilhas e ilhotas Morais Brito singrou as águas do Delta do Rio Parnaíba em roteiros desconhecidos, apresentando para turistas nacionais e estrangeiros e a maravilha vigorosa que são a fauna e a flora, únicas e encantadoras.
Hoje, quase todas as empresas de turismo da região exploram os caminhos do delta traçados por Morais Brito. Os roteiros mais conhecidos que Morais Brito criou são: (Igaraçu ,Canárias ,Igarapé dos Periquitos,Igarapé dos Poldros,Baia do Feijão Bravo,Caiçara,Caju,Melancieira e Tutoia). Foi assim que começou a descoberta turística do Delta do Parnaíba. Morais Brito é conhecido como o desbravador e o pioneiro dos passeios ecológico ao Delta do Parnaíba .

Importância ecológica da região

O Delta do Parnaíba possui originalidade e importância no contexto litorâneo do Piauí e do Maranhão. Por estar na sua integridade em ambiente litorâneo o Delta abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental, cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos, com interações energéticas que lhe conferem caráter de instabilidade e de fragilidade.

As dunas costeiras têm função de proteger terras continentais, são reservatórios naturais de água e recursos hídricos únicos, além de servirem como áreas de recreação. Além disso, as dunas possuem uma vegetação que tem função de bioestabilização do campo dunar, diminuindo o processo geomorfogênico de avanço das dunas pelo efeito eólico.

O manguezal, por ser um habitat de caráter anfíbio propicia vegetação, abrigo e subsistência para diferentes grupos faunísticos, como mamíferos, aves, répteis, peixes, crustáceos e moluscos. Contribui ainda para a manutenção do potencial biológico do litoral que é aproveitado através da captura de peixes e crustáceos. Grande número de espécies tem seu ciclo biológico vinculado ao manguezal e a seus componentes vegetacionais.

As lagoas costeiras e os estuários estão entre os mais férteis ecossistemas litorâneos, servindo de abrigo e criadouro a numerosas espécies de interesse comercial.

Turismo
DELTA DO PARNAIBA

A cidade de Parnaíba aposta no turismo como sua maior atividade econômica. Sem duvida o turismo é a atividade rentável e lucrativa do Delta, principal fonte de informação. O Delta atrai muitos visitantes dada sua grandiosa beleza. O turismo é a 3º maior industria do mundo, onde o petróleo vem em 1º lugar e a industria bélica em 2º. Parnaíba é a única cidade deltaica, onde existe agencia de turismo expecializada em passeios ao Delta do Parnaíba, Destacando a EMPRESA MORAIS BRITO VIAGENS E TURISMO, que é a pioneira nos serviços de passeio ao Delta. Existem também guias de turismo credenciados pela EMBRATUR.  O Piauí de certa forma não valoriza o que tem e o que é seu, suas riquezas naturais, como no caso, o Delta do Parnaíba. A maior ilha do Delta é a Ilha Grande de Santa Isabel e é reconhecida por seu artesanato. As rendas da Ilha Grande já ganharam prêmios internacionais. Outra ilha que se destaca é A ilha das Canárias, um verdadeiro santuário ecológico onde a preservação ambiental vem em primeiro plano. A ilha das Canárias possui a melhor estrutura para turismo ecológico na região.O cardápio local inclui delícias como peixes, caranguejos, camarões, ostras .

 

Economia

É região, muito importante saber diferenciar os dois aspectos econômicos. De um lado tem-se a economia dos nativos da que primária, é notavelmente terciária: pesca, coleta, produção de gado, plantações, caça. É uma exploração tipicamente voltada para o consumo prexpande para óprio e até a sobrevivência dos moradores e que abrange uma economia que não se o exteriorpara a grande , mas oferece lucros para os negociantes. Já de um outro lado, existe uma economia que é voltada exploravegetação, de ção dos recursos, grandes exportações e negócios. Pessoas que enriquecem com a exploração da caranguejossomente para , com a exploração do turismo, etc. É presente também a economia clandestina de gente que vem explorar e aproveitar-se da pesca, sendo muitas vezes estrangeiros.

A pesca comercial na região não se limita à água doce. Várias espécies marinhas migram para manguezais na época de reprodução. Seus filhotes permanecem nesse refúgio até terem condições de aventurar-se em mar aberto. Quando isso finalmente acontece, a viscosidade do mar aumenta nas proximidades aumenta de forma impressionante. No Delta do Parnaíba este fenômeno também acontece intensamente e sustenta a atividade pesqueira de todo o meio-norte do país. Grande parte do famoso camarão do Ceará sai, na verdade, de águas piauienses. E, clandestinamente, até barcos de outros países da América Latina costumam ir pesca nas proximidades. No Porto dos Tatus tudo se compra a um bom preço: peixe, caranguejo, camarão, para ser revendido a preços bastantes elevados.

 

Caranguejo
CARANGUEJOS

Importante destaque para o caranguejo, que é o sustento do povo da região e seu comércio gera grandes lucros. Aliás, ele é o forte do Delta do Parnaíba. Do Porto dos Tatus saem lotados de caranguejo, todos os dias, vários, caminhões rumo, principalmente, ao litoral cearense. Talvez 90% do caranguejo vai para o Ceará, são muitas toneladas!!! A exportação do caranguejo é bastante rentável. Os mangues são o habitat dos caranguejos, sendo que existem vários tipos. Ex.: o branco(ereto, mais fino e mais delgado) e o vermelho(todo trançado, cheio de raízes) e é nesse tipo de mangue que eles preferem habitar e onde há, portanto, em maior quantidade. Isso se dá devido as folhas do mangue vermelho que são mais saborosas e mais macias. Eles não comem folhas verdes e levam essas folhas numa espécie de toca até elas se manterem num certo estado de decomposição para só então se alimentarem. Quando começam as primeiras chuvas no período de inverno é a época de acasalamento. Os catadores não tem consciência de que algum dia pode haver um escassez, por isso se deve preservar as fêmeas. O que também se vê é que os negociantes deixam o caranguejo e levam ao comércio somente as patas que dão mais lucros. Famílias inteiras do Maranhão, Piauí e Ceará ganham seu sustento da lama, catando caranguejos. Anualmente, cerca de cinco milhões de crustáceos são retirados da área para consumo e comercialização, fazendo a fortuna de muitos atravessadores. Há um verdadeiro exército de catadores, transportadores, processadores de pescado e revendedores. A trilha começa com famílias inteiras revolvendo a lama, passa pelas mãos de ávidos negociantes franco-atiradores e termina nos frigoríficos de grandes empresas. Por isso só se come caranguejo de patas pequenas, pois os bons já são exportados. Para os ambientalistas, a verdadeira riqueza da região é o próprio manguezal, um dos ecossistemas mais ricos do mundo.

 

Manguezal
MANGUES

A flora do manguezal está presente no litoral das ilhas e nas embocaduras dos rios, possuindo cinco espécies arbóreas: Rhizophora Mangle (mangue-vermelho, sapateiro), Avicennia Germinans e A. Schaueriana (mangue siriba, siriúba, preto ou canoé), Laguncularia Racemosa (mangue-manso, rajadinho ou branco) e Conocarpus Erectus (mangue-botão).

A parte do Delta do Rio Parnaíba, que corresponde ao território piauiense constitui a maior superfície de manguezais do estado. Identificam-se duas grandes faixas de mangue, uma delas ao longo da margem direita do Rio Parnaíba e a outra ao longo do baixo curso do Rio Igaraçú.

Em sua totalidade, os manguezais do Delta parnaibano, no Piauí, corresponde a um área que ocupa principalmente a Ilha Grande e margens do Rio Igaraçú. A extensão da vegetação de Mangue vai estar condicionada localmente pelos processos de sedimentação fluvial eólica, que me alguns trechos dificultam a penetração das águas marinhas, além dos desmatamentos devido à expansão de áreas residenciais, construção de salinas, cultivo de arroz e expansão de pastagens de gado.

Por situar-se próximo a dois núcleos urbanos, a cidade de Parnaíba e Luís Correia, a vegetação tem sofrido maiores impactos ambientais, não apenas devido à poluição hídrica e dos solos. É no trecho ocidental do estuário do Rio Timonha, nas margens do Rio de Ubatuba, do meio, Carpina e Arraia, que se encontra a Segunda maior extensão de mangues do Estado. Junto à margem esquerda do estuário está assentada a localidade de Cajueiro da Praia, enquanto que no médio curso do Rio Ubatuba, no final de sua planície flúvio-marinha, está a cidade de Chaval, no Estado do Ceará. A presença desses dois núcleos residenciais vai implicar um maior pressão antrópica sobre os recursos vegetais do manguezal.

A utilização dos recursos vegetais do mangue é efetivada de forma diferenciada em função do potencial de uso de cada um de suas espécies. Há apenas uma forma de utilização comum a todas as espécies, que é a retirada de lenha para a produção de carvão.

Destaca-se que a retirada dos recurso madeireiros do manguezal é realizada sem nenhuma preocupação com sua capacidade de regeneração, além de infringir a legislação ambiental, que declara que esta unidade de vegetação como áreas de preservação permanente, conforme o Código Florestal, Lei Nº4771, artigo 2º.

A vegetação perenifólia de mangue é importante na estabilização do relevo, protegendo as margens das planícies flúvio-marinhas e conservando a linha de costa. Diminui também o avanço dos sedimentos eólicos sobre o leito dos cursos de água estuarinos. Atua ainda no processo de pedogênese, contribuindo na estrutura dos solos através do aporte de matéria orgânica.

A conservação dos recursos hídricos é ampliada em função do mangue devido à presença de microlina mais ameno, diminuindo a evaporação hídrica, fluvial e edáfica. Exerce ação de fertilização das águas superficiais, que vai beneficiar a cadeia trófica não só do manguezal, como as dos ecossistemas circunvizinhos. Propicia também abrigo e subsistência para diferentes grupos faunísticos. Contribui ainda para a manutenção do potencial biológico do litoral piauiense que é aproveitado através da pesca de peixes e crustáceos. (CEPRO, 1996)

O manguezal existente, além dos sedimentos provenientes de outros ecossistemas continentais trazidos pelas águas destes rios, fertilizam toda a plataforma continental, resultando numa zona de pesca de razoável potencial econômico e de grande importância social.

 

Flora

No Delta do Parnaíba, seguindo-se além dos mangues, a carnaubeira é a titular da paisagem.

Alta, imponente a Copernecia cerífera, em se querendo tudo dá, o tronco é usado em construções de casas e móveis, palmito seria à alimentação, a folhagem se transforma em esteiras, fetos e paredes de habitação simples e a cera, que outrora pensava-se ser útil apenas nas candieiras, ganhou o mundo como matéria-prima dos mais diversos artefatos da civilização, incluindo aí saudosos discos de 45 RPM.

 

Fauna

 A fauna do Delta do Rio Parnaíba é abundante e diversificada, seus mangues cumprem um papel muito importante para o equilíbrio ecológico da região, pois abriga milhões de espécies. Constituindo-se assim uma extensa região de alimentação e abrigo para espécies em extinção como o guará vermelho e o peixe boi.

As planícies flúvio-marinhas abrigam diversas espécies de moluscos e crustáceos destacando-se encontrando-se também com uma grande abundância principalmente o camarões, o cirí e o caranguejo, também encontrando-se também com uma grande abundância e diversidade de peixes. Conta-se também com o aparecimento do boto e do peixe boi.

Peixe boi

 O peixe boi é o único e o maior mamífero marinho herbívoro em extinção. Ele gosta de nadar em águas claras, rasas e claras, alimentando-se principalmente de capim, algas e folhas de manguezais.

Quando adulto chega a pesar 800kg e 4 metros, encontra-se no Brasil de Alagoas à Maceió e no Piauí em todo o litoral. Estima-se que no Brasil exista em todo litoral aproximadamente cerca de 400 peixes bois.

 

Extrativismo Vegetal
VEGETAÇÃO - CARNAÚBAS

Carnaúba - Explorada em quase toda a região, encontra-se nas áreas mais úmidas. De suas folhas é extraída a cera de carnaúba, utilizada na industria de sabonetes e outros produtos. Das sementes obtém-se um óleo empregado na fabricação de vernizes, tintas e esmaltes.

Babaçu - É uma palmeira encontrada em grande quantidade no Maranhão e no Piauí. Desta árvore tudo é aproveitado. O coco fornece óleo, o tronco é usado nas construções, e o palmito na alimentação.

Outros vegetais - Além destes são explorados na região castanha de caju e outras plantas oleaginosas. O coroá e a piaçava são utilizadas na fabricação de bolsas, cestas e vassouras.

 

Extrativismo Animal

As duas formas de extrativismo animal são as caças e a pesca. A pesca profissional no Brasil é proibida por lei, existindo a caça ilegal, cujo produto é contrabandeado para o exterior, em geral, o couro de jacarés e peles de animais silvestres. A pesca se desenvolve ao longo do extenso litoral.

No Delta do Parnaíba, que não é pescador vive de catar caranguejo. E, se essa atividade não requer tanta força quanto remar mar a dentro para pescar, por outro lado exige destreza e uma enorme dose de disposição. Afinal, passar boa parte do dia atolado na lama mal cheirosa ou equilibrando-se sobre as raízes aéreas dos manguezais, rodeado por nuvens de pernilongos e mosquitos, não é nada fácil.

A comunidade de Caiçara, que também fica na Ilha das Canárias, é um lugar onde vivem vários desses homens da lama. Quase todos analfabetos, são pessoas afáveis, de riso fácil, que brincam muito enquanto trabalham.

Raimundo revela que seu maior temor é sofrer um acidente no trabalho, como escorregar se cortar nas ostras incrustadas nas raízes do mangue. Mas acrescenta que todos por ali são cuidadosos e que é raro alguém se machucar seriamente. Para enfiar a mão na lama em busca do caranguejo, ele, como os outros, usa uma proteção de tecido grosso enrolado em todo o braço e nos dedos, para evitar arranhões. Outra providência, dentro do mangue, é manter um cigarro feito com papel pardo e fumo escuro, de cheiro muito forte, sempre acesso na boca, baforando a fumaça para afastar mosquitos e pernilongos.

A vida dura na Caiçara também tem seus momentos de descontração. Como no vilarejo não há energia elétrica, nem mesmo um gerador, a solução para garantir a grande paixão de todos por ali, as telenovelas, é utilizar baterias para ligar a televisão.

Como são poucos os catadores que possuem barco, e os caranguejos são comercializados no Porto dos Tatus, na Ilha Grande de Santa Isabel, o proprietário de um barco passa comprando a produção dos catadores, que depois leva para revender. Em geral, os donos do barco paga semanalmente aos catadores e ganha um porcentagem pelo transporte da mercadoria.

 

Interferência do Homem
DELTA DO PARNAIBA

O homem interfere no ecossistema do Delta explorando dele o máximo possível, destruindo as florestas e promovendo queimadas e desmatamento para fazer plantações de arroz, milho, feijão e outras culturas e utilização de pastos para a criação de gado. Essas erosivas culturas de arroz levam o assoreamento dos rios, destruindo as margens do Delta. Com isso tudo há grandes desvantagens para um ecossistema pois implica problemas com os seres vivos que habitam a região. Segundo a escritora Aldenora Mendes Moreira, formada em história e uma amante e conhecedora do Delta, ele é uma riqueza. O mangue-vegetação típica da região caracterizada por arbustos ou pequenas árvores, pertencentes a diversas famílias que apresentam altas raízes além de servir para de proteção das ribanceiras, também abriga ostras, caranguejos, siris e peixes, mas o homem não respeita isso e agride a natureza de diversas formas.

Principais impactos ambientais na região

 Como já citado anteriormente, os principais impactos ambientais identificados na região costeira, estão principalmente relacionados as atividades econômicas desenvolvidas. Como por exemplo, podemos citar a exploração petrolífera, a indústria do sal, a expansão do turismo, a extração de madeira e degradação de lagoas costeiras, que ao longo dos últimos anos, tem degradado o meio ambiente de maneira bastante marcante.

Os efeitos mais imediatos no meio ambiente são:

1. A destruição de grandes áreas de manguezais para a implantação de áreas de salinas e cultivo, fechamento de áreas tradicionais de pesca em função da implantação de campos petrolíferos, provocando desequilíbrio dos ecossistemas terrestre e marinho em função de vazamentos provenientes de áreas petrolíferas;

2. Deslocamento de comunidades pesqueiras litorâneas para áreas mais interiores, em função do crescente aumento de atividades turísticas (construção de parques recreativos e residências para veraneio, restaurantes, etc.);

3. Perda da biodiversidade, ocasionada pela destruição de grandes parcelas da mata Atlântica remanescente, para extração de madeira;

4. Degradação de lagoas costeiras pelo uso do setor turístico, como também pela construção desordenada e sem obediências as normas de saneamento de áreas de lazer e de residências de veraneio.

 

Ecoturismo e A ilha das Canárias

O ecoturismo é um meio de promover a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável.

A ilha das Canárias, com sua impressionante multiplicidade natural, composta por lagoas, praias, dunas, campos e matas.

O ecoturismo deve apontar para o uso sustentável dos recursos naturais e respeitar as manifestações culturais. As condições de sustentabilidade só ocorrerão se houver equilíbrio entre os resultados econômicos, mínimos impactos ambientais e culturais, e satisfação do ecoturista e das comunidades visitadas.

 

O Delta na palma da mão
FOZ DO DELTA DO RIO PARNAIBA

O Parnaíba une o Piauí ao Maranhão. Nasce na Chapada das Mangabeiras, no extremo sul do Piauí, percorrer quase 1500 Km até se dividir em cinco canais ou braços: o de Luís Corrêa, o das Canárias, do Caju, da Melancieira e o de Tutóia -, formar um arquipélago com cerca de 80 ilhas e ilhotas e desaguar em mar aberto. Isso é o Delta. A foz do Parnaíba recebe este nome numa alusão a quarta letra grega, delta que tem formado triangular. Para se visualizar melhor a forma da Delta basta lembrar de um mão. Os cinco dedos são os cincos canais que desembocam no Atlântico sul.

Do Porto das Barcas( ou do Porto dos Tatus) parte-se para a aventura no Delta. Na bagagem muita expectativa. Os passeios turísticos podem ser efeito em lancha rápida( cujo aluguel custa R$ 100,00 / hora e pode transportar cerca de 6 pessoas) ou em barcos maiores que comportam até 70 passageiros( ao preço de R$ 40,00/pessoa – com direito a almoço e caranguejada). Tratar com a AGENCIA MORAIS BRITO VIAGENS E TURISMO - FONE:321-1969 - PARNAIBA-PI

Aliás, o caranguejo é o forte do Delta do Parnaíba. Do Porto dos Tatus saem lotados de caranguejo, todos os dias, vários caminhões rumo, principalmente, ao litoral cearense.

Durante o passeio é possível conhecer o habitat dos caranguejos: o mangue. Também dá para observar – com um pouco de sorte (???) jacarés, macacos, cavalos selvagens, entre outros bichos. Dunas douradas fazem parte da paisagem. Pássaros diversos cruzam os céus do Delta e não raro, cardumes passeiam em busca de alimento.